sábado, 7 de julho de 2018

CAMINHO FRANCÊS - MUXIA - FINISTERRA



Decidi fazer o Caminho Francês à dois meses depois de ver uns vídeos no YouTube.
O Caminho Francês de Santiago ou Caminho das Estrelas que começa em França em Saint Jean Pied du Port até Santiago de Compostela são +- 799 km.
A primeira dificuldade para quem vai de bike é como a transportar até ao inicio do Caminho, depois de ver as várias alternativas (e ouvir vários nãos) a melhor e mais barata maneira de chegar a Saint Jean Pied du Port é na Flixbus , Lisboa a Bayonne 38.99€ , trouxe a bike desmontada numa caixa embora no site e na bilheteira na Gare do Oriente digam que não a trazem,  fui perguntar a um motorista e enviei mail e a resposta foi positiva se viesse desmontada só teria de pagar 9 euros, está no regulamento deles . No dia da partida o motorista mal viu a caixa disse logo que não tinha espaço depois lá a arrumou e nem cobrou os 9 euros.

ÁLBUM 500 FOTOS

1ºDIA BAYONNE - SJPP -ORISSON  67 Km

1 Junho, cheguei a Bayonne às 4 da manhã fiquei numa paragem de autocarro até ser dia, montei a bike e iniciei uma pequena volta pela cidade ás 7 h percorri os primeiros 15 km até Ustaritz por uma via pedonal que ladeia o rio Nive  depois foram cerca de +- 40 km numa estrada nacional com algum transito onde apanhei a maior molha da minha vida, pedalei umas 3 horas debaixo de uma chuva intensa até SJPP.
Chegado a SJPP antes das 12h  fui direto à Oficina do Peregrino para adquirir a Credencial necessária para comprovar a nossa passagem pelo Caminho.
Almocei tirei as fotos da praxe e parti para Orisson uma localidade na encosta dos Pirenéus Franceses foram 9 km sempre a subir  os últimos a empurrar a bike até aos 770 m em caminhos de pedra e lama. Ahh e tudo isto sem dormir 1 minuto porque não durmo em camionetas ou aviões foi uma directa mas a adrenalina resolve a coisa. Fiquei no Refuge Orisson  o único albergue onde fiz reserva prévia porque nesta localidade ou perto as alternativas de alojamento são poucas. O jantar foi em mesas corridas umas 50 pessoas de todo o Mundo todos com as espectativas em alta depois dos primeiros km de um Caminho mítico e desafiante  e só 1 Português de bike.
Trajeto Strava
Trajeto Strava

2ºDIA Orisson - Larrasoana 47 km

2 Junho, saí perto das 8h 30 e continuei a subir os Pirenéus 12 km até Col de Lepoeder a 1429 mt de altitude já em Navarra Espanha , o dia estava limpo e deu para apreciar prados bosques e paisagens fantásticas  onde os animais pastam em liberdade .
 Nesta zona existem abrigos e Helpoints para pedir ajuda em caso de emergência , em caso de mau tempo é proibido seguir o trilho.
Descida alucinante pelo meio do bosque até Roncesvalles depois de 42 km demolidores que passaram por muita pedra lama e água o almoço soube muito bem em Zubiri , para o programado ainda faltavam 20km.
Fiz só mais 5,5km começou a cair granizo , um dia destes recupero os 15 km que faltaram fazer hoje  , fiquei no Albergue Municipal de Larrasoana .
Trajeto Strava

3ºDIA Larrasoana - Estella 65 km

3 Junho, o percurso segue sem grandes dificuldades entre a estrada N-135 e o rio Arga até Pamplona.
Depois de Pamplona são 12 km a subir por um trilho estreito até ao Alto do Perdão que é outro marco neste Caminho. 

Ontem a descer do Col de Lepoeder  para Roncesvalles pelo meio da floresta num trilho de pedras e não pelo recomendado para bikes  parti metade do suporte da mochila hoje a descer do Alto do Perdão acabei com ele, dei uma de McGyver e arranjei-o com uma pedra um pau e umas abraçadeiras deu para fazer uns 30km pela estrada nacional (que não tem trânsito nenhum pq eles têm a auto estrada ao lado sem portagens ) até Estella onde existem lojas de bikes para amanhã comprar um suporte novo. Esta manhã tbm tive de meter uns sacos plástico por cima das meias para poder calçar os sapatos de ciclismo que estavam ensopados . É preciso muita engenharia para fazer o Caminho de bike.
Já noto algum cansaço mas vou tratar de arranjar uma massagem química um diazepan que me faz dormir nas nuvens

Fiquei no Albergue de ANFAS um albergue pertencente a uma associação de apoio a deficientes mentais, é bom saber que o pouco dinheiro que nos cobram vai ser bem empregue.



 

4ºDIA  Estella - Logronho 51 km

 



5ºDIA  Logronho - Belorado 71 km
 
5 Junho hoje quando saí do albergue vi que a espanhola que dormiu ao meu lado deixou esquecido a credencial (necessário para ficar nos albergues e justificar o Caminho feito na chegada a Santiago ) e mais uns papéis acabei por levar e calculando o que ela poderia ter andado lá a encontrei, perguntei: és a Marian tenho uma coisa para ti que te faz falta, ela ficou um bocado espantada depois lá agradeceu, já ontem aconteceu o mesmo com uma capa de mochila que achei, mais a frente lá encontrei a dona uma Americana. Esta tarde encontrei um casal Espanhol a fazer o Caminho a cavalo, disseram que é um problema arranjar sítio para eles ficarem e comerem é que actualmente os cavalos foram substituídos pelas bikes.
Fiquei no albergue A Santiago
 
6ºDIA Belorado- Hontanas 85 km
 
6 Junho hoje andei uns +-90km não sei o certo porque o conta quilômetros voou ainda voltei atrás uns 3 ou 4 km mas não o encontrei , vou-me regular por 2 APP que uso o STRAVA que também serve para a minha mulher e filhos saberem onde ando em tempo real e uso O CAMINO PILGRIM que tem toda a informação necessária .
Encontrei um rapaz de uns 12 com uma bandeira portuguesa numa cana e fui direito a ele a falar em português ele ficou um bocado espantado afinal tinha-a encontrado e eu uns 150km antes tbm vi uma espetada na terra deviam de ser de alguns bimbos portugueses que ou as perderam ou as largaram por serem os únicos a levá-las , ainda pensei tbm trazer uma mas nada o justifica o Caminho é Universal .
Vi um miúdo pequeno com mochila falei com ele tinha 8 anos e o pai são belgas e imaginem têm uma casa em Odemira .
Burgos tem um centro histórico muito bonito.
Existe um mito de que os peregrinos são explorados no Caminho Francês mas não é verdade as fotos comprovam por 18 € durmo janto e tomo o pequeno almoço num albergue privado. Acabei de jantar às 8h40 comi que nem um alarve se vou para a cama ainda me dá uma coisa má  são 22h 49m e devo ser o único que ainda não foi dormir, até me faz impressão esta estrangeirada de todo o mundo acaba de jantar às 8h e vão dormir ainda de dia. Sou o último em tudo: a chegar aos albergues +- 18h ; a jantar ; a deitar-me e a sair dos albergues.
Fiquei no Albergue El Puntido
 
7ºDIA Hontanas-Terradilhos de Los Templários  82 km
 
7 Junho hoje recuperei o atraso de quase meio dia ao programado com a graça da corrente ter partido o que me atrasou umas 2 h para a arranjar e ir a outra loja de bikes comprar outro elo rápido para substituir o que trazia de reserva, tive de telefonar para o Bruno onde comprei a bike para ele me explicar como se arranjava aquilo se voltar a acontecer arranjo em 15 minutos.
Vou-me encontrando com  outros artistas de bike aí duns 35 / 40 anos que despacham as mochilas de albergue para albergue um com uma bike com ajuda eléctrica e não os vejo a andar mais km que eu quando passam por mim estou a arranjar qualquer coisa
Estava algo apreensivo por ter visto no YouTube filmes de Brasileiros +- 30 anos que fizeram os primeiros 22,5 km nos Pirenéus e pareciam estar a morrer.
O caminho hoje segue por planícies intermináveis tudo cultivado com cereais depois de mais de 300km em Espanha ainda não vi eucaliptos nem terreno por cultivar . Passei pelo Canal de Castilla e os últimos 20km foram num estradão que parecia nunca mais acabar sempre a levar com vento de frente. No primeiro albergue onde parei estava cheio fui para onde estou também é excelente só que só havia vaga num beliche de cima enfim já sou velho para subir beliches    mas não tinha opção.
Numa coisa o meu pai tem razão as Espanholas são muito simpáticas.
Fiquei no Albergue Jacques de Molay
 
8ºDIA Terradillos de Los Templários - León 72 km
 
8 Junho hoje andei sem esforço sempre debaixo de chuva o Caminho tem pouco desnível devo de ter andado ao lado da bike só uns 300 mt e tudo corria bem sem história   até que à chegada a León entro num trilho provisório do Caminho que acaba numa descida que é um lamaçal desgraçado de uma argila que se agarra e é o diabo para a tirar, ainda comecei a rolar e passado uns metros só levando a bike à  mão até ao ponto das rodas não andarem tanta a argila acumulada na bike, fui retirando com um pau nada de mover corrente ou travões para não estragar nada e mais uns 200 mt entro em León junto a um pequeno jardim que tem uma fonte com uma mangueira manhosa sem pressão nenhuma devo lá ter estado bem mais de 1h para tirar o maior de maneira a andar sem estragar nada, pelo meio fui conversando com um casal de brasileiros, uma espanhola dizia que era uma vergüenza atravessar Léon.
Por estas e por outras é que vejo uns bicigrinos a pedalar na estrada, não concordo que um caminho destes se faça pela estrada quando existem alternativas com condições mínimas para andar de BTT.
Encontrei um casal francês que puxava uma pequena carroça cheia de tralha e vão-se vendo andarilhos estranhos uns puxados outros empurrados conforme a "maluqueira" dos donos .
Uma moça de uns 30 anos logo à saída do albergue resolveu o dia chamou um táxi para a levar até León e logo outra se ofereceu para lhe fazer companhia e como paga pagou-lhe o pequeno almoço.
Hoje é o oitavo dia fiz uns 550km faltam +- 300km o físico está óptimo só alguns acessórios da bike me deram problemas mas nada de maior que não se resolva com calma e sem stress.
Fiquei no Albergue Monastério de Benedictinas
 
9ºDIA  León - Rabanal del Camino 73 km
 

9 Junho o dia começou frio em León e como estava num albergue grande pertencente a uma ordem religiosa aquilo parece um quartel , a barafunda fez com que saísse cedo. León é uma cidade grande e com muitos monumentos assim como Astorga onde passei durante a manhã .
Acontecem milagres no Caminho, voltei a encontrar duas alemãs mãe e filha que tinham passado a pé e conversado comigo à dois dias atrás quando estava a reparar a corrente, estas alemãs são muito boas  ou voam ou apanham algum transporte e até lhes dou razão porque não se deve fazer o Caminho com sacrifício.
Cheguei ao destino muito cedo às 15h30 e embora me pudesse ter esticado mais uns km preferi ficar pelo que tinha programado, fiquei numa aldeia no sopé da montanha e vejo neve ou gelo lá no cimo amanhã é para subir. Tive tempo para lavar e secar toda a roupa na máquina a limpeza também dá ânimo
Esse símbolo onde vêm a palavra Portugal sinaliza uma grande rota ciclavel EUROVELO1 transeuropeia que começa na Noruega acaba em Portugal.
O físico continua óptimo mesmo depois de andar horas com os pés molhados e gelados.
Já andei +- 600km e Santiago é já ali faltam 240km .

Fiquei no Albergue La Senda e jantei muito bem no El Refugio Hosteria



 

10ºDIA  Rabanal del Camino - Trabadelo 69 km

 

10 Junho hoje foi a subida à Cruz de Ferro um dos pontos míticos do Caminho, amanhã é a subida ao Cebreiro que parece que já é complicado para quem vai a pé e bem pior para quem tem de empurrar a bike serra acima.
 A descida da Cruz de Ferro voltou a ser uma doideira num trilho de xisto assim tipo rio sem água, muita tareia levou a bicicleta.
Almocei e muito bem em Molinaseca um esparguete à bolonhesa e trutas de escabeche depois de ter estado noutro restaurante onde começaram por implicar com o sítio onde a bike estava estacionada depois não trocavam o vinho do menu por cerveja e por fim o menu do peregrino era só 1 prato ao contrário do habitual , vim embora e deixei o espanhol a falar sozinho e acabei por comer estupendamente com direito a um licor para ajudar a digestão e bem falta fazia que ainda tinha 40 km para fazer.
Em Ponferrada ajudei uma miúda italiana que estava sem bateria no TM a encontrar o albergue, é sempre o problema dos espanhóis não serem dados a línguas.
Mais à frente rolei uns 10km com um Brasileiro que tinha começado com outros 2 patrícios mas ao fim de 2 dias stressou largou-os e segue sozinho porque diz que os outros não andam nada.
À noite fiquei só com uma empanada de atum e uma Estrella Galicia dedicada ao Caminho.

Fiquei no Alberque Paroquial de Trabadelo




 
11ºDIA Trabadelo- San Mamede Lugo 56 km
 
11 junho hoje foram 56km com um ganho de elevação de 1627 mt . A subida ao Cebereiro é a última grande subida deste caminho voltei a não ir pela estrada recomendada para as bikes, subi pelo caminho do campo que afinal é igual aos antigos caminhos da terra do meu pai afinal já à mais de 40 anos eu treinava a subida ao Cebereiro  , são uns difíceis 6km a subir com uma inclinação de 10%.
Tive um encontro engraçado com umas vacas que desciam pelo Caminho num sítio estreito.
 Almocei no Alto do Poio a 1334mt e faltavam quase 40 km quase sempre a descer. Depois do almoço voltei a levar com uma molha desta vez bem gelada.
Voltei a reencontrar outros ciclistas, o brasileiro apareceu quando eu almoçava e foi embora depressa por causa do frio.
Encontrei um italiano que ia meio passado da cabeça perguntava onde era a localidade chamada Sansao e eu lá lhe mostrei que não havia nenhuma terra com aquele nome mas ele insistia, enfim lá continuou.
Amanhã começa a confusão a partir de Sarria que fica a +- 120km de Compostela e como para obter a Compostela de Peregrino têm de se fazer 100km a pé muitos começam nesta cidade, nota-se o aumento de preços e a corrida aos lugares nos albergues.
Fiquei no Albergue Paloma e Lena
 
 
12ºDIA San Mamede Lugo - Melide 72 km
 

12 Junho hoje 1458mt de ganho de elevação ainda houve muitas subidas em caminhos agrícolas com muita lama e caca de vaca .
O meu horário de trabalho tem sido aproximadamente das 9h às 18h , as etapas foram pensadas para acabarem perto do inicio das grandes subidas e tirando os problemas iniciais com os acessórios / bike tudo está a correr bem sem grandes dificuldades.
Tenho de lavar a bike às vezes mais de uma vez ao dia se não tiver mangueira utilizo um dos bidons de água que levo na bike e esguicho para onde é preciso , e estava eu neste trabalho num pequeno jardim em Portomarin a tirar água dum repuxo quando passou uma espanhola e ficou uns segundos parada a olhar para mim , só percebi o porquê quando saí estava lá um sinal de proibição de entrada a bicicletas e a água tinha sal adicionado para os peregrinos banharem os pés   não tivessem eles o chafariz que estava perto desativado e nada disto acontecia .
Encontrei e falei com vários portugueses , contínuo a ir "religiosamente "pelo Caminho sem utilizar a estrada que ainda agora no albergue me confirmaram haverem com frequência acidentes graves com ciclistas .
Faltam +- 50 km para Santiago quando me cruzo com alguém que vai fazer 150/ 200 km sinto-me um veterano .
Fiquei no Albergue Municipal de Melide

 
13ºDIA  Melide - Santiago de Compostela 56 km
 
13 Junho cheguei antes do almoço, o certificado de distancia diz 799 km desde SJPP mas comecei em Bayonne que foram mais 60km, +- 860km em 12,5 dias com um ganho elevação de 13474 mt, para um cota não está mal
Chegado a Santiago foi o deitar na Praça do Obradoiro frente à Basílica o ponto onde todos os Caminhos vão dar, fotos da praxe e siga para a Oficina do Peregrino onde apanhei uma seca de umas 2 h para a obtenção da Compostela .
Depois do banho e de deixar a bike no albergue fui visitar a Basílica para ver a tumba e dar o abraço a Santiago mais umas fotos e fui apanhado pela missa do Peregrino que hoje evocava o Santo António dito de Pádua mas para os Portugueses de Lisboa a cidade onde nasceu.
Acabada a missa segui rápido para outra catedral o Restaurante do Manolo onde jantei em quantidade e barato.
Agora quem fez quase 900 km também pode ir até ao Fim do Mundo que é como quem diz Finisterra por isso vou gastar os 2 dias que trazia de folga para ir até Muxia e acabar em Finisterra vão ser mais uns 120km ao todo vão passar dos 1000km e está o assunto arrumado
Fiquei no Albergue La Credencial
 
14ºDIA Santiago de Compostela - Muxia  92 km
 
14 Junho estou em Muxia na Costa da Morte hoje fiz 92km com 1975 mt de ganho de elevação foi tipo subir a serra da Estrela desde o mar a acrescentar um dia de calor que aumenta o cansaço em 50% já sabia bem uma chuvada.
Quando se pensa que se vai a Caminho do Mar e é sempre a descer foi um engano acabou por ser um dos piores dias.
O Caminho para Finisterra é o epílogo do Caminho Francês a que acrescento a passagem por Muxia que também é um lugar simbólico dos Caminhos na Galiza .
O albergue Municipal estava cheio e acabei noutro privado já tarde, vim jantar às 21h e larguei o menu dos peregrinos para comer uns percebes que embora grandes não são tão saborosos como os nossos, tive de pedir gelo para os arrefecer porque por aqui comem-nos quentes   mais umas cervejas e uns calamares e lá estou eu com um barrigão, a partir de sábado volto às saladas senão fico quadrado.
Fiquei no Albergue A Muxia
 
15ºDIA Muxia- Finisterra  38 km
 

15 Junho hoje foi a ida aos km ZERO em Muxia e Finisterra fiz de manhã 38 km de Muxia até ao Fim do Mundo da Idade Média dois marcos que limitaram na época o conhecimento dos Europeus do Mundo conhecido até ao inicio dos Descobrimentos protagonizados por Portugueses e Espanhóis .
O dia começou com uma chuva miudinha e cheguei a Finisterra pela hora do almoço fiz a última subida até ao Farol onde tirei as fotos da praxe. Almocei e às 15h segui de autocarro até Santiago, ao contrário do habitual sem qualquer problema para trazer a bike.
Cheguei a Santiago fui para o albergue habitual arrumei a bike, banho e fui dar uma última volta ao centro de Santiago .
Comprei presunto queijo chouriço cervejas pão e estou a acabar o dia no albergue a comer e a ver o Portugal / Espanha.

Fiquei no Albergue La Credencial
 
16ºDIA Regresso a Lisboa
 
16 Junho agora que já vou em viagem para Lisboa e com tudo a correr OK vamos à parte chata da questão .
Sandra quando disseste ao segundo dia que estava a ser difícil (eu disse-te que explicava dia 16) a verdade é que mesmo ouvindo e dizendo centenas de vezes a saudação " BUEN CAMINO " no Caminho como na Vida nem todos chegam ao FIM.
Eu já sabia que ia encontrar isto, a partir dos Pirenéus e nas etapas mais difíceis é frequente encontrarmos  cruzes a evocar peregrinos falecidos no Caminho , se reparar-mos nas datas ficam pelo Caminho gente de todas as idades.
Vi pessoas com mais de 75 anos de mochila às costas e se lhes acontecer algo são bem mais felizes que acabarem os dias num lar mal cheiroso.
Claro que se vê gente com um risco agravado de algo acontecer gordos alguns mesmo obesos , vi no princípio da subida dos Pirenéus um miúdo Americano com +- 20 anos que pesava acima dos 100 kg cheio de fast food.
Desta vez fui fazer um check up porque já sabia que o esforço ia ser considerável para fazer sempre o Caminho de quem vai a pé e não seguir alternativas por estrada .
No fim é muito bom ter feito +- 1000 km por sítios onde só com alguma irresponsabilidade se desce de bike sem nenhuma queda e uns poucos arranhões nas pernas provocados pela vegetação e umas mossas provocadas pelas pedras projetadas pela roda da frente.
Comecei em Bayonne - SJPP - Santiago - Muxia -Finisterra 14 dias a pedalar +- 1000km exclusivamente pelo Caminho original . Faço o Caminho pela história cultura e superação .
Gastos em 15 noites albergues e alimentação 450€ ; transportes 92€ ; acessórios bike 43€ ; diversos 6 €.
Ainda à dias o acabei já começo a pensar qual vai ser o próximo


 
O CAMINHO NÂO ACABOU, CONTINUA .

 
 
ÁLBUM  500  FOTOS 
 
 
 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

TRILHO DOS PESCADORES

LINK Trilho dos Pescadores

"Sempre junto ao mar, seguindo os caminhos usados pelos locais para acesso às praias e pesqueiros.
Trata-se de um single track percorrível apenas a pé, ao longo das falésias, com muita areia e por isso mais exigente do ponto de vista físico.
Um desafio ao contacto permanente com o vento do mar, à rudeza da paisagem costeira e à presença de uma natureza selvagem e persistente."
ÁLBUM 75 FOTOS

ROTEIRO
1º Dia  Porto Covo – Almograve 30km
5h 30m Saída Lisboa carro do José
7h 30m Inicio Raid pelo Trilho dos Pescadores
14h 00m Almoço rápido  em Vila Nova de Milfontes
15h 00m Passagem barco 2.5€ (de 30 em 30 minutos)
15h 30m continuação para Almograve
18h 30m chegada Pousada de Juventude de Almograve 283640000
Jantar Café Torralta ou Churrasqueira Isa
2ºDia  Almograve – Zambujeira do Mar 22km
Saída 7h
10h 30m +- 10 km  Reabastecimento em  Cavaleiro frente Cabo Sardão
12h 30m + 6 km Almoço na Barca Tranquitanas ou
14h 00 Almoço Restaurante Rita na Zambujeira do Mar
15h Check  In  Hostel Hakuna Matata
3º Dia Zambujeira do Mar – Odeceixe  18km
Saída 8h


Mochila de 20lt com menos de 4 kg incluía: 1 muda de roupa; toalha fina; calções de banho; camisola polar; chinelos; artigos de higiene e detergente em pó para lavar a roupa; kit básico de primeiros socorros; 2 x 0.50lt água; algumas barras cereais e 1 tablete chocolate preto e 2 sandes e bastão para ajudar nos sítios difíceis.
Bolsos dos calções: carteira; 0.50lt água; smartphone.

                    Primeiro dia 2 Setembro de 2017 Porto Covo - Almograve 32.7km

Desta vez não vim sozinho tenho a companhia do José Lemos somos dois pré-cotas com muita pedalada
Depois de uma noite mal dormida iniciámos o Trilho ás 8h
Optámos por fazer 2 etapas do Trilho num dia  fazendo a travessia de barco em Vila Nova de Milfontes e assim poupar uns 5 km, mas reconheço que se torna uma jornada bastante puxada.
O Roteiro foi quase cumprido á risca porque foi feito baseado num máximo de 3 km andados por hora e esta realidade é incontornável num piso pesado quase sempre de areia não se consegue progredir muito mais já contando com as inúmeras paragens para tirar fotos.
Almoço rápido e muito bom na Paparoca junto ao cais de V. N. Milfontes.
O calor apertava acima dos 30º e como tal é muito importante hidratar a contar com a cerveja do almoço devemos de ter bebido +- 4lt água nos 32.7 km deste dia.
Na passagem do rio Mira em Vila Nova de Milfontes
Diálogo com o barqueiro:
Vocês vêm de onde ?
R:Vimos de Porto Covo (21 km)

E vão para onde ?
Praia do Almograve (+12km)
Com este calor ?
Sim temos a estadia marcada são mais 3 h
Nunca vi tal coisa não querem ficar aqui a descansar ?
Não !!
Ok vocês são malucos vocês é que sabem !!!
Esta conversa toda porque fizemos os trilhos de 2 dias num só.
Uma espécie de Auto da Barca do Inferno! (disse o José)
Durante a tarde a caminhada é mais penosa aí começa a ter mais importância a força mental que a física mas correu tudo bem com um descanso mais demorado +- 5 km antes de Almograve.
Check In na Pousada de Juventude, o Jantar no Café Torralta  foi um óptimo Sargo grelhado.
 Não tenho palavras para descrever a beleza das paisagens, ficam as fotos e o link que reporta para a página oficial da Rota Vicentina.


 Segundo dia 3 Setembro de 2017  Almograve - Zambujeira do Mar 22.8 Km

Pequeno almoço na Pousada ás 7h30 ( atenção que tem de se pedir na recepção para ser mais cedo o horário normal é ás 8h30). Saída pelas 8h,  o trajecto segue por um longo passeio costeiro onde encontramos várias pessoas a fazer a sua caminhada matinal são bons hábitos que os Portugueses a maioria reformados já começam a ter, principalmente quando têm condições para isso.
No fim do passeio marítimo começamos a subir a duna e aqui começam as dunas com cores avermelhadas alaranjadas brancas douradas enfim cores que mais parecem saídas de uma paleta dum pintor.
Hoje como ontem o trilho desenvolve-se sobre as dunas e arribas com as sucessivas enseadas e praias intocadas algumas sem acessos. Depois de passar um pinhal onde nos soube bem andar umas centenas de metros longe da areia chegamos a Cavaleiro onde reabastecemos de água e seguimos para as falésias imponentes do Cabo Sardão o ponto mais ocidental da Costa Alentejana vigiadas pelo Farol   
Chegámos á Zambujeira do Mar perto das 15h,  Check In no Hostel Hakuna Matata e depois do banho que nos retira 50% do cansaço fomos comer uma salada de polvo e beber umas imperiais no SUNSET CAFÉ que dizem ser um dos melhores sítio para ver o Pôr do Sol na Costa Alentejana.
O jantar foram linguados (ou primos ) fritos com arroz de tomate no Restaurante Rita uma comida simples mas boa na relação qualidade preço.


 Terceiro dia 4 Setembro de 2017 Zambujeira do Mar - Odeceixe 20 Km

Pequeno almoço comemos das nossas reservas umas barras cereais bolos secos chocolate e café do hostel. Descemos á praia da Zambujeira do Mar e o trilho começa a subir a falésia e voltamos ao mesmo falésias e praias deslumbrantes e muita areia, passagem por várias linhas de água algumas caem em cascata para a praia como na Praia da Amália. É fundamental olhar sempre sempre para onde se põem os pés é que escorregar ou tropeçar em alguns sítios pode ter consequências desastrosas. Em média por dia temos encontrado 6 a 8 caminhantes estrangeiros alguns com mochilas que parecem trazer a casa ás costas outros sem chapéu enfim o pessoal não zela pela saúde num trilho que piora quando as temperaturas rondam os 30º e o vento fresco do mar não aparece que foi o caso destes 3 dias. A última paisagem que deslumbra é a vista da Praia de Odeceixe do alto da Ponta em Branco e a partir daqui começamos a descer para a Praia acabam os trilhos de areia e terra e começam os últimos penosos 5 km de alcatrão da estrada que bordeja a Ribeira de Seixe que faz a fronteira entre o Alentejo e o Algarve. Chegámos a Odeceixe tirámos as fotos da praxe lavámos o suor no chafariz da terra e começámos a tarde a comer uma bifana satisfeitos por ter feito um trilho que exigia muito, sem grandes mazelas físicas e como costumo dizer o Caminho não acabou continua ...